«o passado é presente que marca o futuro»
Já alguma vez pensaste que tudo podia ter sido diferente? Podíamos ter repetido vezes e vezes sem conta aqueles momentos em que te sentavas do meu lado e me contavas uma história inspirada nos livros de banda desenhada que passavas a vida a ler. As idas à praia, quando vinha uma onda e tu me agarravas nos braços e levantavas para que saltasse por cima dela, e no fim, abraçavas-me e permanecíamos ali, a saborear aquele momento. Fizeste-me tão feliz naquele meu espaço de vida ainda tão curto, e depois deixaste-me para trás, apenas com as memórias como recordação. Olhava para as fotos, eu sorria, tu sorrias. A cumplicidade era mais que muita, não havia um tu, não havia um eu, apenas um nós, aparentemente inquebrável, mas observando bem, ainda com algumas ranhuras que mais tarde se abriram por completo e vieram desmoronar todo o império que juntos tínhamosconstruído de mãos dadas. Foram tantas as noites em que me deitava na cama e assim que a luz se apagava, as lágrimas caiam-me vagarosamentepelo meu inocente rosto de criança, porque tu não estavas ali para me dar um beijo de boa noite. Foram tantas as cartas borradas de lágrimas que te enviei a implorar "volta, por favor volta, eu preciso de ti aqui! Tenho saudades tuas", às quais nunca obtive resposta, porque quando eu precisei, tu não estavas disposto a dar-me a mão.Ficaste marcado na minha vida como uma mancha negra enorme que jamais será apagada, e a culpada não sou eu. Desculpa se não consigo apagar este passado mas se sou o que sou, tornei-me assim em função dos teus actos que me magoavam, e dos quais me tinha que defender. Não te arrependes? Queria tanto olhar para ti e reconhecer aquela pessoa maravilhosa que eras antes do adeus, antes da mudança, antes das lágrimas e do desprezo. Porque não voltas? Por mais que meta o orgulho à tua frente e diga que não, fazes-me muita falta, e nada mudará isso.